Ivson Moraes, Coordenador de Feiras e Exposições da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado da Bahia

Caro Gestor | 10/02/2012
Ivson Moraes, Coordenador de Feiras e Exposições da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado da Bahia
Ivson Rocha Moraes
Crédito: Divulgação

Ivson Rocha Moraes está há 3 anos na coordenação de Feiras e Exposições da SEAGRI. Em entrevista à Caro Gestor ele explica como funciona o Parque de Exposições de Salvador e detalha como a Secretaria está apoiando os municípios do interior nos eventos com animais, e as alternativas para prefeituras que não têm espaço para comercialização desse setor. 

Como funciona a regulamentação de parques de exposições na Bahia?
O parque de exposições é um bem público. Ele é multiuso, ou seja, realiza eventos também, tanto do governo estadual quanto da prefeitura, como vistoria de trios elétricos. Nesse caso, nós verificamos a agenda para não conflitar com outros eventos. No caso de eventos agropecuários, o parque é cedido gratuitamente. Temos três grandes feiras: Expobahia, Expoagro e Fenagro. Além disso, temos duas feiras menores, que são a Expovendas e o Festival do Cavalo. Esses eventos, a Secretaria sempre apoia liberando verba, dando apoio técnico e equipamentos, como baias. Fazemos isso também em todo o estado. Em eventos maiores a gente leva o estande da Seagri com a especificação dos quatro orgãos: a EBDA, a ADAB, CDA e a SUAF.  
 
E no caso de eventos particulares realizados no Parque de Exposições de Salvador, os valores são regulamentados com base em quê? Como é gerida a verba arrecadada?
Fizemos uma parceria com a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) para criarmos uma tabela de valores para locação dos espaços do parque porque antes era muito solto, não tinha um valor estipulado, então quando eu entrei lá, fizemos esse trabalho. Tem três anos que estou na Secretaria de Agricultura e, antes disso, o parque estava sem manutenção, porque não existe uma verba destinada para o parque, mas a gente consegue fazer a manutenção com os eventos. Os valores são transformados em obras. Antes se trocava por carro para a secretaria, para os técnicos viajarem, mas depois - de uns dois anos para cá – fizemos um acordo com as nove associações que ficam no parque, para que toda renda seja destinada a benfeitorias no local. Fizemos um projeto de reforma elétrica no parque, mas, como o projeto é muito caro e não disponibilizamos do valor, então vamos juntando os recursos gerados pelos eventos. Por exemplo: o festival de Verão. Os 200 mil do aluguel vêm em forma de obras. Fazemos o orçamento pela tabela do estado. 
 
Vale a pena um município menor ter um parque de exposições? Quais os critérios?
Depende do tamanho do município. Jequié, por exemplo, tem um parque. Itabuna também. Na verdade se gasta muito para manter um parque de exposições. Para isso, a própria Secretaria de Agricultura está dando uma alternativa para os municípios que não têm um parque de exposições para realizar as atividades com animais: é o centro de comercialização de animais, em parceria com as prefeituras. Algumas prefeituras que têm um parque de exposições preferem passar a administração para as associações, porque tem como administrar melhor. Falo isso porque, por exemplo, hoje, a gente é engessado por não trabalhar com o dinheiro. Se você me pagar o aluguel do espaço em dinheiro, esse valor vai para a conta do Estado e de lá não volta para o parque. Por isso, tudo que fazemos é permutado, e quando você passa para uma gestão privada, você trabalha de uma forma mais livre. 
 
Existe a possibilidade do Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador transformar-se em uma parceria público-privada (PPP)?
Esse é um  projeto que ainda está engatinhando. Seria uma parceria para passar a gestão do parque para um grupo. Já conversamos com o pessoal da pecuária e eles aceitaram a ideia, pois é uma forma de reformar currais, modernizar a frente do parque, fazer uma área fixa para show com palco, camarotes, banheiros, e outra área fechada para shows menores, climatizados, etc. Então, está existindo essa conversa de parceria, mas não para agora, pois é preciso ajustar vários processos. 
 
No caso de uma prefeitura menor que tenha um parque, seria uma alternativa a PPP, para reduzir o gasto público?
Acredito que muitas prefeituras já fizeram isso, por causa dos custos. Numa prefeitura pequena é mais fácil conseguir, mas aqui em Salvador já é mais complicado. Principalmente essa área do Parque de Exposições que valorizou muito e está muito visada. Inclusive estamos fazendo isso porque, amanhã ou depois, as construtoras estão em cima, e já surgem boatos de querer colocar o parque em Feira de Santana, e os pecuaristas daqui se revoltaram. A PPP é o único jeito de segurar isso aqui de vez e fazer uma obra grande. Conversamos com o governador, a ideia é fazermos do parque não só um local de exposições, mas também uma área de lazer. As pessoas que vivem só no ambiente urbano e não vivenciam esse mundo de fazenda querem levar seus filhos para ver os animais e ter contato com essa área rural. Inclusive quando surgiu a conversa de PPP o ex-secretário de Turismo da Bahia, Domingos Leonelli sugeriu tirar o parque de lá e fazer a cidade da música, mas o que derrubou a ideia dele foi justamente o fato do parque de exposições ser o único elo de ligação do rural com o urbano. 
 
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