ACM Neto, prefeito de Salvador-BA

Caro Gestor | 14/01/2014
ACM Neto, prefeito de Salvador-BA

 Diante das manifestações ocorridas em todo o estado da Bahia, a Caro Gestor ouviu o prefeito ACM Neto, que está há pouco mais de sete meses à frente da Prefeitura de Salvador. Na entrevista, ele fala sobre o reflexo das manifestações em sua gestão e explica como os canais de comunicação com a população estão sendo conduzidos. Ele fala também sobre o seu encontro com a presidente Dilma Rousseff, transparência na gestão e um dos estopins das manifestações: os gastos públicos com a Copa do Mundo.

Como o senhor traduz a questão das manifestações como um todo?

Acho que as manifestações são a demonstração de que a democracia brasileira está pulsante e vive um período de grande efervescência. E cabe aos políticos saber ouvir e compreender a mensagem que vem das ruas, traduzindo isso em ações concretas e práticas que melhorem a qualidade de vida das pessoas. Veja que as manifestações já estão produzindo resultados práticos e de forma célere, e a tendência é que os avanços tão almejados pela sociedade que está nas ruas prossigam ainda mais.

O senhor acha que é necessário um novo olhar sobre a gestão pública, tendo em vista esse novo momento em que as pessoas estão mais ativas no que tange à cobrança nos serviços públicos?

O que a população espera de seus governantes é mais ação e menos discurso político. Ela quer resultados concretos e imediatos. A gestão pública precisa ser mais enxuta, dinâmica, moderna e eficiente, seguindo padrões da iniciativa privada, valorizando a meritocracia, premiando aqueles que se destacam em suas tarefas. Não podemos mais tolerar, por exemplo, os desperdícios e entraves burocráticos. Temos que economizar na máquina para gastar mais com o cidadão. Essa é a filosofia que estamos implantando na Prefeitura de Salvador.

Quais medidas estão sendo tomadas para ouvir melhor os clamores da população?

No caso de Salvador, no que se refere à causa inicial das manifestações, que é a questão do protesto contra o reajuste das tarifas, nós nos antecipamos e não permitimos aumento. Ou seja, ao contrário de outras cidades, não permitimos aumento no preço da passagem de ônibus, mesmo tendo implantado o programa “Domingo é meia”, que consiste no pagamento de meia passagem no transporte público neste dia da semana. E mesmo após o reajuste recente de motoristas e cobradores, não cedemos à pressão dos empresários. Vale lembrar que este é o segundo ano sem aumento da tarifa de ônibus em Salvador. Além disso, estamos preparando a concessão para as empresas que irão operar o sistema, e vamos exigir melhorias fundamentais, como a renovação da frota. Estou totalmente aberto a dialogar com os manifestantes e trabalharmos numa pauta conjunta, porque muitas das bandeiras defendidas nas ruas estão em nosso programa de governo. Afinal, essas manifestações tomaram outra dimensão, que vai além da reivindicação por melhorias no sistema de transporte público.

 Como o senhor avalia os canais de comunicação da Prefeitura com a população de Salvador?

Estamos procurando aprimorar cada vez mais esses canais. Pegamos uma estrutura sucateada, cheia de problemas. Mas, aos poucos, estamos conseguindo avançar nisso, para melhorar esse atendimento. Eu estou sempre nas ruas. Acabei de voltar de uma agenda no Subúrbio. Toda semana estou em pelo menos três bairros, o que inclui o sábado também. E, nesses despachos nos bairros, levo toda minha equipe, converso com moradores e anuncio intervenções de curto, médio e longo prazos. Além disso, estamos descentralizando a administração pública, implantando as chamadas “Prefeituras-bairro”, que terão balcões para oferecer os serviços públicos aos cidadãos no local onde os problemas acontecem.

Já tem previsão de quando irá iniciar o trabalho desse projeto “Prefeituras-bairro”?

O projeto já está sendo implantado em regiões importantes de Salvador, a exemplo de Cajazeiras, Subúrbio Ferroviário e Itapuã. No total, serão dez Prefeituras-bairro, sendo que essas quatro já têm os gestores escolhidos e as localizações definidas. Algumas parcerias estão sendo firmadas, a exemplo do Tribunal de Justiça da Bahia, para ampliar a demanda de serviços aos soteropolitanos.

De acordo com a Lei de Acesso a Informação, todos os sites oficiais devem ter links para a população manter contato com a gestão, além de acompanhar gastos públicos e licitações. A Prefeitura está cumprindo essa lei?

A Prefeitura está se adequando à lei. O portal da Prefeitura está passando por profundas transformações visando, inclusive, atender a essa importante determinação, fundamental no quesito transparência. Além disso, a regulamentação municipal já está em processo de tramitação na Câmara Municipal.

O site oficial é um canal suficiente para atender a população ou as redes sociais estão sendo mais solicitadas?

Nós utilizamos o portal da Prefeitura e as redes sociais para atender às demandas que surgem através da rede mundial de computadores. O Facebook institucional da Prefeitura é bastante acessado e diariamente são respondidas inúmeras demandas, que são encaminhadas aos órgãos com a determinação de que seja dada a solução o mais breve possível. Não aceitamos respostas burocráticas, e isso é supervisionado pela Agência Geral de Comunicação da Prefeitura. Além disso, tenho o meu Face pessoal, que também recebe muitas solicitações, pedidos, críticas e elogios. Procuro, dentro do possível, responder aos internautas pessoalmente. Também temos o Twitter institucional da Prefeitura e a minha conta pessoal.

Durante encontro com a presidente, qual foi a sua percepção quanto às propostas emergenciais oferecidas por ela?

Achei extremamente positivo o anúncio de investimentos na área da mobilidade, que hoje é um dos maiores gargalos das grandes cidades brasileiras, a exemplo de Salvador. Esses R$50 bilhões serão importantíssimos para que grandes obras estruturantes possam sair do papel e beneficiar diretamente a população, principalmente quem anda de transporte público.

Com relação à Copa das Confederações, em entrevista a vários veículos o senhor afirmou que os gastos com a Copa foram enxugados ao máximo. Qual a avaliação que o senhor faz do evento em Salvador?

A administração anterior assinou compromissos com a Fifa de investir R$170 milhões em obras de mobilidade urbana na cidade. Infelizmente, nada foi realizado. Fizemos o possível para preparar a cidade em seis meses, e reduzimos custos diante da realidade financeira que encontramos na Prefeitura. Tenho certeza que conseguiremos preparar melhor a cidade para a Copa do Mundo do ano que vem, quando entregaremos obras como a nova orla e teremos realizado intervenções importantes na área de infraestrutura e mobilidade.

Deixe seu comentário » 0 Comentários:
Outras entrevistas em: Entre Aspas

Ver todos os itens desta categoria »

Autor(a): Danielle Argolo

Jornalista e especialista em Comunicação Corporativa, é Redatora com experiência em assessoria de imprensa, gestão de conteúdo, marketing e eventos. Atua, hoje, como subdiretora da revista e portal Caro Gestor.

E-mail: danielle@carogestor.com.br
Twitter: www.twitter.com/danielleargolo

Perfil completo »

Publicidade