João Prazeres, coordenador de Educação Especial da SEC

Redação Caro Gestor | 15/03/2011
João Prazeres, coordenador de Educação Especial da SEC
?O processo de inclusão só vai se efetivar quando todos se envolverem?

Criada em 2007, a Coordenação de Educação Especial da SEC tem à frente o pedagogo João Prazeres.  Especialista em Educação Especial na área de Deficiência Visual e Educação e Diferenças, Prazeres, que tem baixa visão, milita a favor dos direitos das pessoas com deficiência desde  a década de 1980. Foi um dos criadores da Associação Baiana de Cegos, além de fundar outras instituições no interior da Bahia. No município de Nazaré/BA foi vice-presidente por dois mandatos do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência de Salvador na década de 1990, e há muito milita com os movimentos sociais pela garantia dos direitos das pessoas com deficiência. Está há três anos à frente da Coordenação de Educação Especial,  braço da Secretaria de Educação do Estado. Nesta entrevista, Prazeres fala sobre as conquistas e os desafios da Educação Especial na Bahia.  

Qual o balanço que o senhor faz das ações da Coordenação de Educação Especial?
Quando nós chegamos aqui, em 2007 tínhamos, em toda a rede estadual, em torno de 40 salas de recursos multifuncionais. Vamos fechar 2010 com 557 unidades escolares com salas de recursos multifuncionais. Isso significa que mais de um terço da rede estadual da Bahia está com salas de recursos multifuncionais. Uma outra questão importante que nós desenvolvemos durante estes três últimos anos, além dessa ampliação e implementação de novas salas de recursos multifuncionais foi justamente a implantação de novos centros de educação especial. Em 2007, nós só tínhamos três centros em Salvador e dois em Feira de Santana. Reunimos o movimento social, fizemos uma conferência e chegamos ao consenso de que seria importante se criar novos centros em várias regiões para atender a demanda, não só do Estado, mas também dos municípios. Nós ainda temos em torno de 400 mil pessoas de 0 a 18 anos com deficiência na Bahia fora da escola e precisávamos ampliar essa política.  
Quantos professores capacitados para trabalhar com portadores de deficiência tem a Bahia?
Nós conseguimos formar 2.935 professores. Um outro dado importante que é fruto das ações que foram desenvolvidas de 2007 até agora foi o incremento na matrícula. Nós tínhamos em 2007, 18.622 alunos com deficiência matriculados na rede pública da Bahia. Em 2009 o censo já aponta um crescimento de 78%, ou seja, 33.686 matrículas. Essas ações foram fundamentais para o crescimento da matrícula. A família passou a acreditar na escola, o próprio aluno passou a entender mais o trabalho de conscientização feito com as famílias através dos centros. Conseguimos dar um salto qualitativo com a educação especial. Eu diria que ainda é um salto incipiente para a demanda que a gente tem, de 400 mil pessoas fora da escola, mas a gente vai continuar dando apoio aos municípios para que essas 400 mil pessoas possam estar na escola.
 
As salas multifuncionais são providas pelo Governo Federal?
Isso. O Governo Federal encaminha para os Estados, pelo FNDE (Fundo Nacional de Educação), que passam a ser res-ponsáveis pelas salas. Já os Centros de Educação Especial são iniciativas do Governo do Estado. Poucos estados trabalham com essa modalidade de centro e eles são importantes porque vão dar acompanhamento às salas multifuncionais. Como a Bahia é um estado muito grande, a gente precisa ter em cada região um centro para dar suporte às salas multifuncionais.
 
Qual a diferença entre os Centros de Educação Especial e as Salas Multifuncionais?
O centro é uma instância maior, com uma estrutura diferente da sala, equipamentos  maiores, mais potentes, mais precisos na área de produção de material. Tem atividades, por exemplo, que não dão para serem desenvolvidas em salas multifuncionais. O papel do centro é de fazer formação de professores, dar acompanhamento às salas de recursos multifuncionais. Nos centros, a gente coloca também os núcleos de convivência para atender as pessoas da comunidade com deficiência que não estão matriculadas na rede, núcleo de acompanhamento e o núcleo de pesquisa. O núcleo de convivência que vai estar garantindo a permanência daqueles alunos que não estão matriculados na rede, mas estão nos centros se preparando para ir para a escola regular. Porque é preciso que ele passe por esse estágio transitório no centro. O aluno com deficiência fica o tempo inteiro dentro de casa e precisa ser estimulado. O centro é o lugar de receber esse estímulo. Ele pode passar um ano no centro, ou mais, dependendo das suas necessidades, até que possa ser inserido na rede regular, e no turno oposto, pode ser atendido pelo centro.

A sala de recurso multifuncional é a melhor opção para os municípios?
Os municípios baianos, só a rede municipal, vão receber em torno de 1.100 salas de recursos multifuncionais. Tí-nhamos, pelo último numero que eu soube, 1.031 salas. Esses municípios precisam do nosso apoio para implantar as salas, fazer com que funcionem, orientar quem são os profissionais que vão atuar nessas salas, quem são o público alvo, como é que a sala deve estar estruturada, enfim, tem toda uma normativa de funcionamento da sala multifuncional e a gente tem uma equipe. Tudo isso acontece porque nós criamos um grupo de trabalho com profissionais dos Centros de Educação Especial. Além disso, nós estamos em fase de conclusão das diretrizes estaduais de educação especial fundamentada no que estabelecem as diretrizes nacionais e a política nacional de educação especial. É possível que até março essas diretrizes estejam concluídas. 

Que diretriz o senhor poderia adiantar pra gente?
Uma situação muito questionada é a questão da terminalidade do aluno. Até quando o aluno precisa estar na escola ou não. Muitas vezes o aluno tem um certo comprometimento e, de repente, ele pode passar por todos os estágios na área acadêmica e não avançar, mas ele pode desenvolver outras habilidades em outras áreas. O núcleo de convivência nos centros é uma dessas alternativas. Ele pode ser preparado para o mundo do trabalho ou para o mercado de trabalho formal, mas desenvolvendo habilidades que possam ser úteis em sua comunidade, e isso pode ser até um meio para que ele possa se auto-sustentar na área de culinária, artesanato, enfim. A nossa perspectiva de trabalhar com pessoas deficientes não é garantir somente a escola. A gente precisa também pensar a vida depois da escola. Não adianta o Estado investir na educação e não ter um desdobramento dessa política. 

Como é o dia a dia nessas salas? 
Ele (o aluno) está na classe regular acompanhando normalmente o conteúdo trabalhado em sala de aula. Se o aluno for surdo, ele tem um interprete em sala de aula. Se ele tiver outra deficiência e precisar de um acompanhamento, no turno oposto à classe de recurso multifuncional, ele vai receber a complementação curricular. Por exemplo, o aluno surdo vai receber um reforço no sistema de libras e também aprender a língua portuguesa na modalidade escrita. Se o aluno for cego, vai reforçar o braile, aprender símbolos matemáticos, por exemplo, de física, de química, que o professor da classe não sabe como é que representa no braile. O professor da classe multifuncional vai também dar esse suporte a ele. São coisas que o professor da classe regular não tem domínio e o da classe multifuncional, por ser um especialista em educação especial, tem esse conhecimento e vai realizar esse complemento curricular ao aluno.

Os centros precisam de acompanhamento de profissionais especializados como psicólogos e fonoaudiólogos, entre outros. Como vocês vão trabalhar para manter esse efetivo nos centros? 
A gente está buscando articular as ações dos centros para que eles tenham ações unificadas, para que a formação aconteça simultaneamente e os centros tenham todos o mesmo formato. Para isso, como a gente atende uma demanda grande dos municípios, vamos conversar com os prefeitos para fazer uma parceria e garantir esses profissionais que a gente não tem na educação. Em contrapartida, vamos atender a rede municipal também. A gente não pode imaginar inclusão sem que todos estejam envolvidos no processo. As próprias universidades podem entrar nesse processo também, estagiários da área de saúde. O processo de inclusão só vai se efetivar quando todos se envolverem. Não adianta a escola se envolver, a família se envolver, se o mercado de trabalho está de portas fechadas para ele. Nós temos que garantir o espaço social, o espaço como um todo na escola, no mercado de trabalho, no lazer, na família, para que se possa de fato efetivar o processo de  inclusão.

Tags relacionadas: educação especial, João Prazeres, SEC
Deixe seu comentário » 11 Comentários:

ERIKA RIBEIRO, em 12/04/2015:

BOA NOITE, GOSTARIA QUE ME TIRASSE ALGUMAS DÚVIDAS EM RELAÇÃO A UMA SALA DE AEE QUE SOU COORDENADORA.ESSA SALA FICA DENTRO DE UM COLEGIO MAS É NECESSARIAMENTE QUE SALAS DO AEE FIQUEM ALOJADAS EM ESCOLAS OU PODEM SER INDEPENDENTES, DIGO EM OUTRO LOCAL E A MATRÍCULA DESSES ALUNOS DEVEM SER NA SALA DO AEE OU DO COLEGIO QUE ESTÁ A SALA? POIS A DIRETORA DESTE COLÉGIO DIZ QUE OS MEUS ALUNOS DEVEM TB SE MATRICULAREM NO COLEGIO QUE ESTÁ A SALA...ENTÃO POR LEI PODE HAVER DUPLA MATRÍCULA E TENHO DE PASSAR P MESMA TD QUE ACONTECE NA SALA AEE? TEM ALUNOS DO PROPRIO COLÉGIO QUE ESTÁ A NOSSA SALA EM TURNOS OPOSTOS E OUTROS DECOLÉGIOS DIFERENTES MAS MESMO ASSIM A DIRETORA DEVE ESTÁ APAR DE TD? GOSTARIA DE FZ UM FARDAMENTO PARA OS 2 PROFESSORES QUE LIDAM COM ESSES ALUNOS E A DIRETORA N ACEITOU. PODE ISTO? POR FAVOR, ME RESPONDE COM URGENCIA POIS QUERO TER RESPALDO PARA DIALOGARMOS COM A CERTEZA DA NOSSA LEI DA INCLUSÃO. SEM MAIS, OBRIGADA!COORDENADORA ERIKA

regina alves cerqueira silva, em 14/11/2013:

SR JOAO NO ANO PASSADO ESTIVE COM SR NO CABE PARA PEDIR ORIENTAÇOES SOBRE O MEU FILHO HENRIQUE.SEI QUE O SENHOR NÃO ESTA MAS NO CABE.GOSTARIA MUITO DE FALAR COM O SENHOR MAS NÃO TENHO NUMERO DE CONTATO.

joacilda , em 28/06/2013:

Gostaria de manter um contato para esclarecimentos de duvidas qual e-mail posso utilizar?

Maria Gorete Marques Varjão, em 20/04/2012:

Olá!por favor mande-me por e mail algum documento que certifique que os recursos das salas multifuncionais estão a disposição exclusiva dadas salas e não da escola comtemplada com a sala pois em pouco tempo algum recurso estaria danificado, e alguns gestores pelo visto não compreende assim. Obrigada

thiago henrique, em 08/03/2012:

precisa-se liberar mais contrato PST temos uma escola em caetite que esta nessecitando de interprete de libras porque á três alunos surdos na escola Aplicaçao e gostaria de atuar nesta instituição mande-me uma resposta

betania de brito costa novais, em 23/09/2011:

SOU MÃE DE JAIRO DEF.AUDITIVO ELE ESTA COM 22 ANOS DE IDADE E NÃO COSEGUE ACOMPANHAR OS ALUNOS DA ESCOLA,SEI QUE SEMPRE PROTEGIR DEMAIS ELE,E AS VEZES ATE ME CULPO POR ELE NÃO FREQUENTAR A ESCOLA NORMAL COMO MUITOS COLEGAS DELE.ONTEM ESTIVE NO CINE ANISIO TEIXEIRA E É MUITO BOM SABER QUE TEMOS PESSOAS COMO O SR.JÕAO PARA NOS APOIAR. OBRIGADA

Thiago henrique Dias Santana, em 14/09/2011:

Olá joão, sou o primeiro interprete LIBRAS em Caetité quando o senhor veio a primeira vez em Caetite eu fui o seu interprete no começo do CEEEC Centro Estadual de educaçao especial de Caetite,tenho uma pergunta: a DIREC os responsaveis por ela pode haver favoretismo em realizar um contrato para pessoas que tem afinidade? porque aqui em Caetité esta havendo este tipo de coisas.

Jorge da Silva Macedo, em 31/12/1969:

Bom dia A cidade de Caldeirão Grande tem uma sala multifuncional e não tem pessoas capacitadas para trabalhar com essas pessoas especiais, gostaria de saber onde tem um centro de treinamento ou capacitação para essa finalidade!!

Denise Meire, em 31/12/1969:

João cadê a fiscalização para que haja a verdadeira inclusão? Vai haver fiscalização?
João passo por um problema e gostaria da sua intervenção. Fui selecionada para fazer um curso no IBC mas a secretaria coloca todos as barreiras. Trabalho em uma multifuncional que tem muitos anos. Eu atendo diversas deficiências, mas gosto de def visual e não quero ficar como amadora porque quem sabe tudo não sabe nada. Me dê orientação, mande alguma lei para meu email, ligue para a secretaria. Há muitas criançãs e jovens precisando de minha ajuda.

Marivania Pimenta, em 31/12/1969:

Recentemente tive a noticoia que minha filha era portadora de Transtorno de Personalidade Bordeline. Moro na cidade de Conde/Ba, gostaria de saber onde tem uma escola especial perto daqui/Ba?

thiago henrique, em 31/12/1969:

olá joao, trabalho de interprete da libras em caetite-BA meu contrato e pelo PST 20 horas no centro de educaçao especial de caetite , nos inteprete de Caaetite estamos sofrendo por causa deste contrato que nao nos da os direito do trabalhador, tambem este contrato de 20 horas nao e suficiente para realizarmos um bom trabalho em caetite ,queremos um novo tipo de contrato que nao demore de pagar os seus contratados ,desculpa-me por algumas palavras erradas e porque trabalho com alunos surdos há 9 anos e preciso muito de sua ajuda joao!!! por favor mude este contrato PST- este e meu sutento igualdade para todos .