Ney Maron, diretoria de Meio Ambiente e Relações Institucionais da Renova Energia

Caro Gestor | 18/11/2011
Ney Maron, diretoria de Meio Ambiente e Relações Institucionais da Renova Energia
Ney Maron
Crédito: Mariana Miranda

Ney Maron é responsável pela Diretoria de Meio Ambiente e Relações Institucionais da Renova Energia. Atuou como técnico em Recursos Naturais no Centro de Recursos Ambientais do Estado da Bahia, onde exerceu as funções de diretor de Licenciamento Ambiental e chefe de gabinete, tendo ainda trabalhado na Braskem S.A. na área de Qualidade, Produtividade, Saúde Segurança e Meio Ambiente da Unidade Insumos Básicos. É advogado formado pela Universidade Católica de Salvador, pós-graduando em Direito Ambiental pela PUC/SP e membro colaborador da Comissão de Meio Ambiente da OAB-BA. 

Quais os impactos socioambientais existentes com a implantação dos parques?
A gente está numa região que naturalmente tem sido preterida em muitas oportunidades de crescimento. A Bahia, como quase todo o resto dos estados do País, tem o desenvolvimento mais acelerado via litoral, tendo em vista a oportunidade de empreendimentos turísticos etc. Nós estamos, então, levando desenvolvimento para regiões que basicamente têm uma economia de agricultura de subsistência. Outro fator é que o empreendimento eólico não é incompatível com nenhuma outra atividade. Boa parte das propriedades não tem elementos de colisão. Ao contrário, leva-se a receita do arrendamento, por exemplo. O impacto socioeconômico pode ser positivo e negativo. Qualquer empreendimento que se instala em alguma região interfere no modo de vida do local, seja pela chegada de trabalhadores, seja pelas máquinas com emissão de poeira, e esses são os impactos negativos. Os positivos são: geração de empregos, oportunidade de desenvolvimento para a região, etc. O nosso desafio é fazer com que os impactos negativos sejam minimizados e os positivos ampliados. 
 
O que o poder público local pode fazer para aproveitar ao máximo os benefícios de um empreendimento como este?
O poder público tem um papel fundamental no sentido de atuar na parceria com os empreendedores, comandando o desenvolvimento do seu território e aproveitando a oportunidade. É importante que o desenvolvimento que vamos levar seja aproveitado pelo município não só no momento das obras - pois elas só duram um ano mais ou menos -, mas também depois. Como por exemplo, a receita tributária que é gerada para o município, os empregos etc. É preciso ter cuidados para que tudo isso seja duradouro.  Nestes primeiros 14 parques que estamos implantando, são três municípios atingidos, e tem tido bons resultados com os gestores. 
 
Como é feita a logística de construção do parque? 
Nós fazemos desde a identificação do potencial eólico, desenvolvimento do projeto até a parte de operação. Para isso, atuamos com parceiros, tanto para a construção como para o fornecimento de equipamentos. A Bahia está em um momento extremamente fértil e atraindo várias indústrias. A Alshon já está em processo de construção, a Gamesa já está em operação e mais recentemente, apesar de não ter assinado nenhum protocolo de intenção, a GE e a Vestas. Vários fabricantes têm mostrado interesse em consolidar o mercado eólico aqui no Brasil, e isso é muito importante em termos de logística, porque os equipamentos utilizados na construção da torres eólicas são muito grandes. Então, é importante que você tenha o máximo possível desta cadeia de produção no estado ou no Nordeste. 
 
Como é aproveitada essa energia? 
O Brasil tem um sistema interligado nacional. Existe uma malha de tal forma que quando acendemos a luz não sabemos de onde foi gerada, se de uma termoelétrica ou hidrelétrica. Isso é importante para que se tenha segurança do sistema. A energia eólica é mais uma das fontes e o governo vem fomentando, por meio de leilões de compra da energia eólica, que são exclusivos. Um grande consumidor pode fazer a compra dessa energia, pois existe o mercado livre. 
 
Como funciona a distribuição? 
A energia eólica é produzida e vamos ter uma linha de transmissão que vai estar ligada a uma subestação e entra para o sistema. A energia então vai para a distribuidora. Como as energias tanto eólica como hidráulica são sazonais, elas são complementares aqui no Nordeste. Na época em que chove, não venta, e vice versa. Nós vendemos, em 2009, energia dos 14 parques eólicos que tem que estar em operação em julho de 2012. No ano de 2010, nós vendemos de mais seis parques, que vão ser construídos no próximo ano e, em agosto de 2011, vendemos energia de nove parques. Todos esses 29 parques no estado da Bahia. E basicamente nossa área de atuação é no Sudoeste do estado, mas a gente tem prospectado em outras regiões e em outros estados também. 
 
Quais são esses outros locais?
Estamos na fase inicial de prospecção, mas já temos parques licenciados em municípios do Sudoeste baiano, além de Igaporã, Caetité e Guanambi, têm Riacho de Santana e Pindaí. Também temos prospectado em outras regiões, mas ainda é cedo para anunciar. 
 
Como é feita a seleção do município?
O Atlas Eólico dos Estados e do Brasil é um pontapé inicial. A gente conversa com o pessoal local para saber se existe vento, e também observa como se forma a vegetação. Esses, porém, são fatores menores. O que efetivamente confirma o potencial da região são testes específicos. São feitas várias análises, como as torres de medição.
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Autor(a): Danielle Argolo

Jornalista e especialista em Comunicação Corporativa, é Redatora com experiência em assessoria de imprensa, gestão de conteúdo, marketing e eventos. Atua, hoje, como subdiretora da revista e portal Caro Gestor.

E-mail: danielle@carogestor.com.br
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