Américo Neto Consultor de gestão de imagem

Caro Gestor | 14/01/2014
Américo Neto Consultor de gestão de imagem

 Quais os canais que os gestores públicos podem utilizar para ouvir os anseios da população?

A internet e as redes sociais facilitaram muito a participação popular nos mandatos. No Rio Grande do Sul, existe o Gabinete Digital, um site aberto para o governador escutar a opinião da população. Ali são lançadas consultas públicas, são discutidos projetos, ideias. Inclusive é um site premiado. A internet é uma ferramenta barata e bem democrática. Basta uma conta de e-mail, ou mesmo uma fanpage no Facebook e já temos um canal aberto e direto com os cidadãos. É claro que a internet ainda não está presente em todos os cantos, distritos e rincões dos municípios da Bahia. Tem muita cidade em que só uma pequena parcela da população tem acesso fácil à internet. Para estes municípios, a pesquisa de opinião é importante e deve ser feita com certa freqüência, inclusive, em algumas cidades, eu recomendo que seja feita permanentemente. Existem até algumas ferramentas de gestão para instituições públicas, municípios e governos que se baseiam em pesquisas rotineiras feitas nos bairros, nos distritos. Assim, o gestor decide após saber claramente o que as pessoas pensam. Quero aproveitar  aqui e fazer uma recomendação aos prefeitos: montem uma ouvidoria, divulguem, façam ela funcionar e utilizem as reclamações e opiniões captadas para tomar decisões. É barato e eficiente. E o mais importante: não deixa o gestor exposto nos programas de rádio do município. É muito comum, o gestor mandar os assessores ouvirem todos os dias os programas de rádio e depois responderem a população por ali. Isso é um erro! Isso acaba tornando um problema pequeno da gestão, como uma lâmpada de um poste queimado, num problema público, a cidade toda fica sabendo. E, cada vez que ele responde, aumenta a força destes programas. Quero deixar claro que estes programas são importantes e cumprem um papel de utilidade pública. Mas a Ouvidoria ou o órgão da gestão deve ser o primeiro canal que um cidadão deve procurar para resolver seus problemas. E, para que isso aconteça, os canais diretos de comunicação com a gestão devem ser amplamente conhecidos da população, devem funcionar bem e o cidadão deve ter retorno claro sobre o andamento de sua demanda.
 
De que forma isso pode impactar a imagem da gestão?
 
Em termos de imagem e comunicação, podemos dizer que este é um momento de crise nas gestões. E o importante agora é o gestor não se esconder, mostrar que é democrático e que tem interesse e obrigação de ouvir o que os movimentos têm a dizer. Depois de se mostrar aberto e ouvir, o gestor deve responder e agir com transparência e clareza. Neste momento, é importante saber ouvir e se comunicar com clareza. Pode ter certeza que alguns gestores vão sair com a imagem melhor do que tinham antes dos movimentos. O bom líder, que age com clareza nos momentos de crise, costuma sair mais forte depois das turbulências.
 
Qual a importância de proporcionar uma resposta rápida para a população?
 
Responder rapidamente não significa dizer ou fazer qualquer coisa. Pois é importante que os passos que o gestor tome sejam planejados, para que possam ser executados. Pois, se prometer algo e não cumprir, o problema pode ser bem pior lá na frente. A principal resposta que um gestor deve dar, de maneira rápida, é a capacidade de ouvir, ser democrático. E deve se comunicar com mais intensidade, mais transparência e com bases sólidas. A resposta rápida que o gestor deve dar é abrir as portas do seu governo e mostrar que ele está ali a serviço daquela população.
 
Qual a sua opinião no que se refere aos movimentos e o que você diz ao gestor público sobre o caso?
 
Uma grande lição para os gestores públicos. É importante ressaltar a necessidade de se ouvir com mais freqüência  a população. É comum os gestores se utilizarem de pesquisas em momentos de eleição e, durante o mandato, esquecem de ouvir o povo. A opinião direta do cidadão é a informação mais importante na hora do gestor tomar decisão. Não significa fazer tudo o que a população quer, mas sim, saber o que pensa a população. Pois até mesmo se for mais prudente tomar uma medida contrária ao que deseja o cidadão, o governo já estará preparado para justificar o porquê da decisão diferente do que a população queria. Quem escuta rotineiramente o cidadão, lá na sua casa, lá na sua roça, lá na feira, lá no ponto de ônibus, costuma fazer uma melhor gestão e ter uma aprovação e confiança maior junto à população.
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