Diálogo entre ciências humanas e exatas é importante para a geração de inovação, dizem especialistas

Segunda-feira, 5 de Novembro de 2018
Fonte: MCTIC - Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações
Crédito da Foto: Ascom/MCTIC

Seminário promovido pelo MCTIC discutiu a interação dessas vertentes para o desenvolvimento de novos produtos e serviços no ambiente acadêmico.

O diálogo entre as ciências humanas e exatas e a criação de estruturas nas universidades para incentivar novas ideias são ferramentas importantes para a geração de inovação no país. Essas foram as principais ideias abordadas no seminário “Inovação em C&T: a inserção das Humanidades, Exatas e Engenharias”, promovido nesta quarta-feira (31) pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC, em Brasília (DF).

De acordo com a professora Roseli Lopes, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), para gerar inovação é preciso fomentar mudanças de culturais, estratégicas e de mentalidade nas instituições de ensino brasileiras, começando pela educação básica. Como exemplos, ela citou a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), criada em 2002 para descobrir jovens talentos, e um laboratório de inovação criado na USP.

“A gente criou um laboratório aberto que pode ser usado no fim de semana e à noite. A gente criou também, além do espaço físico, um núcleo de empreendedorismo gerido pelos estudantes. Isso criou um ecossistema onde alunos de graduação de áreas diferentes se encontram e podem criar protótipos, desenvolver projetos e startups. Isso é representativo para a geração de inovação”, conta.

Para o professor Paulo Suarez, do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB), o conceito de inovação engloba agregar valor a um conhecimento existente, que não precisa necessariamente ser produzido pela ciência de ponta. Como exemplo, ele descreve a criação de uma patente que gerou um produto voltado a combater fraudes em postos de combustíveis. A ferramenta tem gerado royalties para a universidade.

“Fomos procurados por uma rede de postos que queria um método para aferir, na hora, a qualidade do combustível recebido, algo que não existia no mercado. Começamos a desenvolver um método e chegamos a um kit que dá o resultado em dez minutos. Essa foi a dissertação de mestrado de um aluno meu, que foi patenteada e gerou uma startup para produzir esses kits e vender para o país inteiro”, revela.

Já o professor Fabrício Monteiro, também da UnB, defende o uso de estudos sociais na criação de políticas para inovação e a valorização das pesquisas por seus autores. Segundo ele, as universidades têm o papel de ajudar diferentes populações a se apropriarem da tecnologia. 

“Um conceito criado por colegas do Brasil é a inovação social, que faz referência ao conhecimento incorporado que tem por objetivo o aumento da efetividade dos processos para a satisfação de necessidades sociais. As universidades do país têm ofertado alguns desses serviços. Atualmente há tecnologias sociais como redes de economia solidária e incubadoras de cooperativas populares”, descreve.

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