Baixa renovação na Câmara de Vereadores de SSA

A Tarde | 03/10/2016
Baixa renovação na Câmara de Vereadores de SSA

 A Câmara Municipal de Salvador teve aproximadamente 35% de renovação dos vereadores, índice que representa a menor taxa de mudança em relação às duas últimas eleições. Dos 43 vereadores, 15 são novos e 28 se reelegeram. O resultado das eleições proporcionais mostra que o prefeito reeleito ACM Neto (DEM), que já tinha uma bancada forte no Legislativo com 28 edis, terá agora uma base governista com 30 vereadores.

Por outro lado, o declínio da oposição fica evidenciado com a redução de 50% no número de vereadores do PT, que saiu de seis representantes na atual legislatura para apenas três a partir de janeiro de 2017.
A menor renovação no Legislativo já era prevista por especialistas por conta das mudanças na legislação eleitoral que reduziu pela metade o tempo de campanha, proibiu o financiamento empresarial e restringiu a propaganda. Em 2012, a renovação na Câmara foi de 56%.
O atual presidente da Casa, Paulo Câmara, foi o vereador que conquistou o maior número de votos (18.271). Entre os novos, Marcelle Moraes (PV) conquistou a maior votação (15.518), sendo também a terceira mais votada entre todos os eleitos. Marcelle carrega a bandeira da defesa dos animais, a mesma do irmão dela, o deputado estadual Marcell Moraes (PV), principal financiador da campanha da estreante.
Além dela, outros três novos membros da Câmara têm parentes como padrinhos políticos: Alexandre Aleluia (DEM), filho do deputado federal José Carlos Aleluia (DEM); Daniel Rios (PDMB), irmão do deputado estadual David Rios (PMDB); e Lorena Brandão (PSC), filha do bispo Átila Brandão.
O cantor de pagode Igor Kannario (PHS) aparece na lista como a principal surpresa entre os estreantes. O partido dele, inclusive, aumentou sua bancada de três para quatro vereadores. Entre os 15 novos vereadores, cinco deles estão retornando à Câmara: Maurício Trindade (DEM), Atanázio Julio (PSDB), Marta Rodrigues (PT), Teo Senna (PHS) e Paulo Magalhães Júnior (PV).
O PCdoB, que internamente não esperava eleger representantes, manteve as duas vagas que já tem na atual legislatura: uma com a vereadora Aladilce Souza e outra com o estreante Hélio Ferreira, presidente licenciado do Sindicato dos Rodoviários.
O PRB, que tinha apenas um vereador, tem agora três representantes com a eleição de Ireuda Silva e Rogéria Santos, obreiras da Igreja Universal. Felipe Lucas (PMDB), Teo Senna (PHS) e Sidninho (PTN) completam a lista de estreantes.
O DEM do prefeito ACM Neto aumentou de cinco para seis vereadores e tem a maior bancada na Câmara. O PTN, que elegeu seis vereadores na eleição passada, conseguiu três vagas, uma a mais em relação à atual legislatura. A expectativa do partido era eleger pelo menos seis representantes.
Dos 13 vereadores que não são da base de Neto, três deles se dizem independentes e foram reeleitos: Edvaldo Brito (PSD), Odiosvaldo Vigas (PDT) e Hilton Coêlho (PSOL). Eles continuam como os únicos representantes de seus partidos na Câmara Municipal. O PDT também esperava ter uma bancada maior, com três ou quatro vereadores.
Celebridade
Na avaliação da cientista político Joviniano Neto, a renovação ocorrida traz representação de segmentos específicos, como nos casos de Marcelle Moraes, Ireuda Silva, Rogéria Santos e Hélio Ferreira. "São alguns novos nomes, mas que não representam nada diferente. Igor Kannario talvez seja o mais diferente neste sentido da representação, no campo das celebridades", afirma.
A menor renovação, pondera, já era esperada. "Foi uma campanha com muitas restrições, pouco tempo e com menos recursos. Aqueles que já têm mandato saíram na frente", disse.
Por conta dessas mudanças, o advogado Ademir Ismerim, especialista em direito eleitoral, costumava chamar a nova legislação, antes do pleito, de "lei do me eleja de novo".
Quanto à maioria conquistada por Neto na Câmara, Joviniano diz não ser surpresa. "Mais da metade dos candidatos eram aliados a ele. Como acreditavam que ele ia vencer, muitos partidos se aliaram a ele. Os candidatos usaram essa imagem do prefeito. Colou a onda dos vereadores que vão ajudar Neto, não que vão fiscalizar Neto", pontua.
Em relação à oposição, para o cientista político, precisa ser atuante de maneira que repercuta fora da Câmara. "Já houve casos de oposições pequenas mas muito atuantes. Sem isso, vai ser passeata, uma marcha triunfal de ACM Neto".
Entre os vereadores que não conseguiram se reeleger, Pedrinho Pepê (PMDB) se destaca. Ele está em seu quinto mandato, mas não conseguiu renová-lo. Além dele, Vado Malassombrado (DEM), Alberto Braga (PSC), Antonio Mario (PSC), J Carlos Filho (SD), Euvaldo Jorge (PPS), Alemão (PHS), Kátia Alves (SD) e Leandro Guerrilha (PTB) integram a lista de vereadores que não conseguiram a reeleição na base do prefeito ACM Neto.
Na oposição, os petistas Vânia Galvão, Arnando Lessa e Gilmar Santiago não conseguiram renovar o mandato. Gilmar, vale ressaltar, foi um dos pré-candidatos do PT a prefeito de Salvador , antes da definição do apoio a Alice Portugal (PCdoB).
Everaldo Augusto (PCdoB) também não conseguiu renovar o mandato. Waldir Pires (PT) decidiu não concorrer mais à Câmara.
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