INSS lento para apoiar famílias de bebês com microcefalia

G1 Pernambuco | 20/09/2016
INSS lento para apoiar famílias de bebês com microcefalia

 O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) vai elaborar um documento apontando a dificuldade de acesso ao benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pelas famílias com crianças portadoras de microcefalia. O órgão ainda denuncia a falta de creches com atendimento especializado para os bebês.

 
Pelo levantamento do Cremepe, 152 das 379 famílias com crianças portadoras da malformação no estado ainda aguardam o benefício do Instituto. Os dados serão entregues ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) que deverá levar o caso a conhecimento das secretarias de Educação e Saúde municipais e estaduais, além do INSS.
 
“Essas crianças são vítimas da inércia do poder do Estado. É dever do Estado o direito a saúde. Então, nós temos que cobrar das autoridades competentes dados positivos e evitar que essas mulheres fiquem perambulando de um lado para o outro. O Estado é quem deve ir atrás delas e não elas atrás do Estado, porque o Estado é quem tem responsabilidade em se preocupar com essa atenção”, pontuou o presidente do Cremepe, André Dubeux.
O estudo foi apresentado e discutido na manhã desta terça-feira (20) na sede do Cremepe, no bairro do Espinheiro, Zona Norte da capital pernambucana. A reunião contou com representantes de conselhos e sindicatos de medicina, ONGs, INSS e MPPE.
 
De acordo com a representante técnica da perícia médica do INSS, Adriana Veloso,a demora para marcar um atendimento na rede não ultrapassa dois dias no Recife. Informação contestada pelas organizações de amparo a essas famílias.
 
“A demora chega, às vezes, a mais de 90 dias. Ligamos para marcar o atendimento, dizemos que nossos filhos têm microcefalia, mas nada é feito. Não estão cumprindo uma portaria ministerial que garante o atendimento prioritário para essas crianças”, relata a presidente da União de Mães de Anjos (UMA), Germana Soares.
A representante do INSS defende que o grande gargalo se dá apenas por um problema de comunicação na central de atendimento do instituto. “Desde o inicio do ano, vem se fazendo um esforço nessa questão e nós, inicialmente, fomos informados desse quantitativo de mães que aguardavam o beneficio. Assim, foi possível programar um mutirão. Esse fluxo tem que ser melhorado”, diz ao prometer que o órgão aparará essa aresta. No entanto, não informou um prazo para solucionar a questão.
 
Para a presidente da Aliança de Mães e Famílias Raras (Amar), Pollyana Dias, o documento não traz nenhuma novidade para as famílias das crianças portadoras da malformação. “Nenhuma surpresa, isso é algo do nosso dia a dia. Nós vivenciamos há tempos as doenças raras e já sabíamos dessa lacuna do atendimento”.
 
Entretanto, espera essa preocupação do Cremepe ajude a melhorar a situação dessas crianças. “Isso traz uma nova esperança de direcionamento, de atendimento e de responsabilidade para que não fique mais esse jogo de empurra empurra”, encerra. O G1 entrou em contato com as secretarias de Educação e Saúde do município e do Estado e aguarda retorno.
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