Apertem os cintos, estamos em ano de eleições

Caro Gestor | 28/06/2012

 Chegou a hora em que os candidatos começam a se movimentar para preparar as suas campanhas. Máquinas em punho, canetas e papéis em branco e está declarada a busca de um material “decente” para prospectar o seu voto. A reunião conta também com os assessores, filhos, conhecidos, tios, sobrinhos, além daquele amigo que sabe usar o Corel Draw e o Photoshop. Na verdade, é aí que nos deparamos com o grande problema que afeta a maioria das campanhas: a falta de um profissional que faça esse papel.

Tenho vivenciado várias situações como essa e posso relatar o quanto isso é importante no momento da decisão. Foto, santinho, jingle, slogan, enfim... são muitos detalhes que precisam ser analisados e um profissional da área pode te ajudar nesse processo.
 
A foto deve ser feita em um estúdio fotográfico, dirigida por um profissional que irá se preocupar com o posicionamento, a iluminação e a qualidade da imagem. No meio da escolha, há aquela foto que foi feita no aniversário do amigo e que todos acham bonita. Fuja dessa. Sem iluminação adequada, excesso de sombra e imagens ao fundo, depois de recortado, você pode ser acometido pelo penteado “capacete”.
 
Outra preocupação é com o slogan da campanha. Nem sempre o que é bom para um candidato é bom para o outro. Certa feita um assessor em busca de um slogan para o seu candidato que tentava voltar ao mandato, passou em uma cidade vizinha e viu o slogan “Geraldo fez – Geraldo vai voltar”. Em segredo reuniu a turma de pintores e resolveu fazer uma surpresa para o seu amigo. Acontece que o nome do candidato dele era Nem. Foi assim que a cidade amanheceu pintada: “Nem fez – Nem vai voltar”. Um bom slogan pode alavancar uma eleição, assim como pode arruinar, como no caso de Nem – que, é claro, foi derrotado.
 
Jingle é outro detalhe importante. Prática comum, principalmente no interior do estado, o plágio, além de ser crime, não é adequado. Música, tal qual perfume, marcam muito um momento. Se o momento for bom, ainda vai. E se não for? Outro detalhe é o seguinte: o povo não canta todas as faixas de um cd. Por isso, evite muitos jingles. Quanto menos jingles existirem em sua campanha, mais fácil será para o povo aprender e cantarolar instintivamente. Lembro-me que cheguei em uma campanha na reta final e, na reunião com o candidato e sua equipe, pedi para escutar o jingle. Deram-me um cd com 14 faixas que era o número do candidato. Perguntei qual mais agradava e cada um tinha uma opinião. Não conseguiram chegar a um consenso. Quem não se lembra do jingle de ACM? Bastava ele aparecer para o povo em massa cantar. Aquela música não era uma versão do hit do verão, nem tão pouco um sucesso de forró. Era uma música feita de corpo e alma para o candidato. Por isso fixou tanto.
 
Enfim, o que podemos constatar é que, se trabalharmos de forma amadora e contando com o “achismo” popular, podemos colocar uma eleição em risco. Por isso, caro candidato, antes de começar a trabalhar na sua campanha, faça um planejamento e busque apoio profissional. Não é a toa que, nas últimas campanhas, os marqueteiros têm chamado tanto atenção. 
 
* Junior Lisboa é publicitário com vasta experiência em marketing político atuando a mais de 15 anos em campanhas eleitorais no estado da Bahia. Sua experiência é aplicada no cargo de sócio-diretor da Agência Fácil Comunicação e também como membro do conselho editorial de Caro Gestor. 
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