Bravo Sertanejo

Caro Gestor | 09/05/2012

 Intrépidos seres, impávidos homens. Gente simples... simplesmente fortes! De hábitos nada refinados e que trazem na linguagem a completa inexistência de rebuscamento. Mas porque preocupar-se em padronizar a linguagem se a sobrevivência é a principal preocupação? Como aprender a falar corretamente, se a mente só absorve a ideia do que comerá no dia seguinte? E se comerá! Ora, palavras bonitas e frases bem feitas não enchem barriga, ou enchem?

O homem de nome nordestino e sobrenome sofredor é, muitas vezes, motivo de risos – risos sem fundamentação, diga-se de passagem – dos eloquentes homens que empregam corretamente pontos e vírgulas e que, mesmo assim, possuem o nome ignorante e sobrenome néscio, pois mal sabem eles que sabedoria não é desenvolver diversos tipos de cálculos para atingir um resultado meteorológico e sim, saber que vai chover só de olhar para o céu.Inteligência não é conversar mecanicamente através de aparelhos e sim, dar um caloroso bom dia tirando o chapéu. Educação é ir além dos livros e aprender com a vida e com os calos que ela presenteia.
 
Pois é, caro leitor. É esse ser sem muita importância para alguns que, com todas as adversidades, ainda tem a capacidade de trazer consigo um sorriso amarelo no rosto. Não um amarelo de falsidade ou vergonha, mas um amarelo de uma arcada que não conheceu o dentista, mas que, mesmo assim, mostra-o sem vergonha, fácil, candidamente. Possuem gestos simples, mas hábitos bastante refinados. Se algum dia chegares ao casebre em que esse homem habita serás tratado como um rei. Comerás com os melhores talheres, se estes existirem no recinto e beberás no melhor copo, é claro, se houver algo a beber.
 
Mas com certeza a melhor parte, amigo leitor, serão as estórias, ou melhor, as lições de vida que ouvirás. Sairás da casa suja e sem móveis mais humano, mais gente mesmo. Questionarás qual o tamanho da fé dessa gente e não acharás resposta. Perceberás que aquele homem continua com o nome nordestino, mas com sobrenome diferente. O sobrenome Vitorioso. E mais vitorioso serás tu, se aprenderes a reconhecer o valor dessa criatura que fala pouco, mas diz muito; que come com as mãos, mas dá valor ao alimento; que ri da própria desgraça, pois sabe que chorar não adianta.
 
*Texto escrito por José Silveira Vilanova Neto em março de 2004 e publicado em homenagem a todos os nordestinos que enfrentam uma das piores secas dos últimos tempos.
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Patrícia Lima , em 10/05/2012:

Dentre os muitos aspectos apresentados no texto, o mais importante e o mais revelante é que os nortestinos por mais que estejam sofrendo devido a seca, conseguem deixar estampado no rosto a sua humildade. Pensamento: "Não transpareça para o próximo que seu problema é o pior do mundo, pois o problema do seu próximo pode ser mil vezes pior e mesmo assim ele não deixa de sorrir e correr em busca da vitoria".